Pesquisar neste blogue

3.12.04

Decidir o futuro de Portugal com base em sondagens, pode ser perigoso.

Quando o Durão Barroso se pirou para Bruxelas, eu fui daqueles que achei que o Jorge Sampaio deveria ter marcado novas eleições. Pensei assim, não por ser de esquerda ou de direita, mas por achar que nas eleições legislativas, os eleitores votam a pensar num candidato a 1º primeiro ministro e não, numa lista de candidatos a deputado para a Assembleia da República.
A dura realidade é, que a Constituição Portuguesa é uma trapalhada sem sentido, nem lógica, em que temos uma Assembleia da República com deputados que ninguém tem consciência de ter eleito; e um governo cujo 1º ministro, os eleitores julgam que elegem, mas na verdade é nomeado pelo Presidente da República. Este é o grande absurdo da nossa Constituição.
Em Julho, Jorge Sampaio achou preferivel não marcar eleições e nomear Santana Lopes para primeiro-ministro. Hoje, passados 4 meses resolve em sentido contrário. Confesso que não entendo a lógica do presidente da República.
Em Julho, teria feito todo o sentido: Santana não tinha sido o candidato a 1º ministro, logo justificavam-se eleições. Hoje, dissolve a Assembleia, porquê ? Com que fundamento ? Um 1º Ministro abandona o governo , isso não é instabilidade governativa suficiente para eleições. 4 meses depois, o ministro do desporto abandona o governo, isso já é instabilidade suficiente para eleições ? Onte está a lógica disto ?
Pode-se defender que, entretanto, o governo de Santana tornou-se un foco de instabilidade. Neste caso, assim sendo, em termo abstractos o que teria lógica ? Não me parece que o lógico fosse dissolver a Assembleia. Então o foco de instabilidade é o orgão de soberania Governo e dissolve-se o órgão de soberania Assembleia ? O lógico seria pois, demitir o 1º Ministro e ouvir os partidos no sentido de indigitar novo 1º Ministro.
Para terminar, parece-me perigosamente grave que o nosso Presidente tome decisões importantes com base em sondagens. A sua decisão de dissolver a A.R. pressupõe uma nova maioria distinta desta, após as legislativas.
Mas imaginemos que, durante a campanha eleitoral se verifica um volte-face qualquer.
Dá-se um escândalo, acontece algo imprevisto, o que quiserem. Mas, por instantes imaginemos um resultado (improvável, mas teoricamente sempre possível) duma nova vitória eleitoral PSD-PP. Que faria o Presidente da República depois ? Sim, o que faria quando o PSD indicasse o nome de Santana Lopes para novo 1º Ministro e este, com a sua famosa teimosia, indicasse os mesmos Ministros e Secretários de Estado ? E apresentasse o mesmo programa e o mesmo orçamento de Estado ? O que faria (ou deveria fazer) então Jorge Sampaio ?
P.S.: href="http://www.abrupto.blogspot.com/" target="_blank">Fala-se por aí num novo D.Sebastião, para 1º Ministro<
Devem julgar que os portugueses têm a memória curta e já esqueceram a arrogância,os erros, o verdadeiro desatino, a falta de noção da realidade, que foram os derradeiros tempos do último governo de Cavaco Silva.
Pois EU não esqueci. Por exemplo, aada vez que atravesso o Rio Tejo, recordo-me perfeitamente.
Não só não esqueço, como não perdoo !
Loading...