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15.1.07

O mal português

Tenho pena daqueles gajos sem uma terrinha na província aonde possam ir passar o Natal, matar o porco, ir à festa de Verão, fazer a vindima. Não falo dos lisboetas antigos dos bairros típicos, mas sim daqueles infelizes que partiram para a capital e rapidamente perderam as suas raízes.
Esses gajos, tendo esquecido quem são, ou donde são, tentam desesperadamente fazer-se passar por alfacinhas. Mas a verdade é que realmente não são de Lisboa e também não têm ?terra?, portanto, estes tipos é como sejam de parte nenhuma (o que é pior que os nómadas que, esses, são de toda a parte).
Este tipo de pseudo lisboeta faz lembrar uma versão refinada daquele tipo de emigrante que regressa a Portugal de Mercedes e a falar estrangeiro. A diferença é que o emigrante, normalmente ama Portugal e tem orgulho em ser português ( já o pseudo lisboeta insiste em renegar o mundo provinciano de onde é oriundo ).
A forte atracção que muitos portugueses sentem por integrar uma multidão, seja no futebol, concertos rock, centros comerciais, praias e discotecas, reflecte a necessidade dessa gente em afirmar uma natureza urbana que não possui e, por outro lado, esconder a sua mentalidade profundamente agrícola. A simples ideia de estarem sozinhos, deprime-os. Locais com pouca gente representam a evocação dum passado rural que este tipo de português deseja esquecer a todo o transe.
Tudo o que reflecte a mentalidade tipicamente agrícola do povo português incomoda o pseudo lisboeta. Finge que não gosta, chama-lhe pimba. Assim se explica o seu horror a feiras e mercados, festas de aldeia, emigrantes da França, portugueses com sotaque, música popular brejeira, ranchos folclóricos, excursões à Serra da Estrela, etc.
É deste conflito entre mentalidade agrícola e mentalidade urbana, que resultam as grandes dificuldades que atrasam Portugal.
A nossa elite, na sua maioria compõe-se de gente dividida entre estes dois mundos. É por isso que temos uma classe dirigente tão indecisa, quase sempre complexada e receosa, não vá deixar transparecer a sua proveniência rural.
Não é por acaso que as verdadeiras potencialidades do português normalmente só se materializam em pleno lá fora, na estranja, onde se liberta do passado. Aqui, somos como que movidos pela necessidade constante em demonstrar uma mentalidade urbana que na realidade não temos. Destes complexos e desta vergonha em sermos o que realmente somos se explica a estúpida recusa em conservar a nossa cultura e em ter orgulho daquilo que é tipicamente português. E assim se explica a existência em Portugal de gente pretensamente bem pensante, politicamente correcta, a cagar intelectualidade por todos os poros e cega admiradora de culturas estrangeiras.
E é a constatação do predomínio deste tipo de mentalidadezinha que ajuda a explicar a mediocridade das elites em Portugal e, finalmente, se encontra a explicação para o nosso atraso, para a nossa pobreza e tudo aquilo que possa caber no designado mal português.

20.12.06

Palhaço triste

2005 tinha sido um mau ano, entrei em 2006 com esperança de que este fosse um ano melhor.
No entanto, 2006 revelou ser o pior ano da minha vida.
Em Março, morreu a minha sogra e hoje, foi o funeral da minha avó. Neste ano, a empresa onde trabalhava faliu (felizmente já arranjei novo emprego) e o meu sogro tem uma doença muito grave.
Gostaria que 2007 fosse um bom ano, mas não tenho esperança nenhuma. As perspectivas são francamente más.
Tentaremos fazer das tripas coração. Muitas vezes, eu próprio fico admirado como consigo fazer rir os outros quando tão grande é a minha tristeza interior.
Quanto maior a dor, maior a palhaçada. Mas detesto sofrer, detesto tristeza e infelicidade. Nunca compreendi Kafka.
Este Natal queria uma luz ao fundo do túnel, será pedir muito ?

2.7.06

Era ele sim, em Abrantes.

13.2.06

Neville Chamberlain nunca mais.

Não faz sentido analisar a questão dos cartoons dinamarqueses isoladamente. Não se trata de analisar se são de bom ou mau gosto; se cabem ou não nos limites da liberdade de expressão. Porque os cartoons são um episódio que pertence a um todo muito mais vasto ao qual, provavelmente um dia será dado o nome de 3ª Guerra Mundial.
Seja assim ou não, o facto é que tanto os cartoons, como as reacções no mundo maometano não acontecem por acaso. Existe actualmente uma radicalização de posições e um ódio cada vez mais feroz da civilização islâmica contra a civilização judaico-cristã.
O mais grave, contudo, é a dificuldade que alguns sectores do mundo ocidental demonstram em não perceber que de facto existem forças fanáticas muçulmanas determinadas em destruir-nos, bem como a nossa civilização, independentemente das atitudes tomadas por nós.
A propósito dos tais cartoons, é espantoso como foi possível alguns sectores importantes do nosso lado terem tido a atitude de condenar os cartoons, colocando-se numa posição claramente pró-muçulmana.
Trata-se de não ter a mínima noção daquilo que se é, ou do lado a que se pertence, independentemente de se achar que as caricaturas são ofensivas. Algumas declarações são tão bizarras, como bizarro seria judeus possuirem simpatia pelo nazismo.
Depois das Torres Gémeas, dos atentados de Madrid e Londres, o que será necessário acontecer mais para se perceber que os muçulmanos estão em guerra connosco ?

27.1.06

Os porquês do resultado elitoral

Os porquês do resultado eleitoral
No rescaldo da eleição presidencial, surgem por todo lado as mais variadas explicações para os resultados eleitorais.
Pessoas diversas tentam explicar a que se deveu a derrota de Mário Soares, mais a derrota deste e daquele, bem como a vitória de Cavaco Silva.
Por exemplo, num programa de Tv alguém referiu que Soares terá sido derrotado porque tem uma concepção da direita desfasada da realidade actual, que a direita que ele combateu nos tempos da ditadura não é mais a direita de hoje, que Cavaco Silva é um filho do 25 de Abril e blá, blá, blá...
Não há dúvida que explicações destas são autênticas pérolas de raciocínio, capazes de figurar ao lado das mais brilhantes construções filosóficas de que há registo. Só há um problema, é que independentemente de teorias assim poderem estar certas, não vejo o Zé povinho a orientar o seu voto baseado em raciocínios tão complexos. Os resultados eleitorais terão portanto de possuir uma explicação tão simples, como simples é a maioria dos eleitores que geram esses mesmo resultados.
As causas andarão perto de coisas como, por exemplo:
  • A idade avançada de Soares.
  • A forma como se procedeu à escolha do candidato oficial do PS.
  • O facto de Soares já ter sido presidente duas vezes e ter prometido que não voltaria à política.
  • A lembrança de Cavaco Silva como tendo sido um 1º ministro competente e capaz de ajudar a vencer a actual crise económica.
  • A forma cuidada como Cavaco Silva se preparou para esta eleição, falando pouco e fazendo uma boa gestão do tempo.
  • O facto de não haver mais candidatos de direita.
  • A tendência para gerar uma maioria presidencial de sinal contrário à maioria parlamentar do momento.
  • A simpatia de Jerónimo de Sousa.
  • O discurso repetitivo de Louçã.
  • A impopularidade do governo e Mário Soares ser o candidato oficial da maioria.
  • Uma aversão crescente aos partidos políticos e a candidatura autónoma de Manuel Alegre.
  • O ser-se de esquerda e preferir Manuel Alegre a Mário Soares numa eventual 2ª volta.
  • Um número elevado de eleitores de esquerda não comunista que não se identificam com a direcção actual do PS.
  • A capacidade (ou incapacidade) de mobilização por parte das diferentes candidaturas.

Estas são algumas das pistas (simples) que poderão explicar as eleições de Domingo e as reacções do povo. Tudo o mais é filosofia.